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Conferência em Janaúba debate a promoção da igualdade racial na região

Por Rafael Teixeira - A última quarta-feira (26) foi marcada por debates e reflexões sobre políticas de promoção da igualdade e enfrentamento à discriminação racial na região. A Diretoria de Cultura e a Secretaria Municipal de Promoção Social de Janaúba, em parceria com a Secretaria de Educação de Gameleiras e Pai Pedro, e a Secretaria de Agricultura e Meio Ambiente de Nova Porteirinha, realizaram a I Conferência Regional de Promoção da Igualdade Racial. O evento contou com a participação de autoridades, representantes de quilombolas e sociedade civil, que debateram o tema “O Brasil na Década do Afrodescendente: Minas Gerais Promovendo a Igualdade Racial: Por Nenhum Direito a Menos”.

O prefeito de Janaúba, Carlos Isaildon Mendes, destacou que a Conferência é um momento importante para que o município defina propostas que atendam às demandas dos grupos interessados e que garantam a execução de projetos para a área. “Que daqui saiam os melhores delegados possíveis para representar o município na conferência estadual”, destacou.

O Superintendente de Povo e Comunidades Tradicionais da SedPac (Secretaria de Estado de Direitos Humanos), João Carlos Pio de Souza, ministrou a primeira palestra, na sede da Câmara Municipal de Janaúba. Em sua fala, ele destacou que as políticas de igualdade são resultado das lutas dos movimentos negros. Ele ainda enfatizou que “igualdade racial é tarefa para toda a sociedade”.

Na segunda palestra da manhã, a professora Cláudia Oliveira Marques, que é descendente de gorutubanos quilombolas, ressaltou, dentre outras coisas, a necessidade do resgate da cultura gorutubana em sala de aula. Cláudia ainda disse que a desigualdade racial é resultado de uma sociedade que foi adestrada para não enxergar essa realidade. “Nós temos que mudar essa realidade, e aqui começa essa mudança”, concluiu a professora.

Encerrando o ciclo de palestras, a professora Zilmar Santos Cardoso falou sobre o cumprimento das leis 10.639 e 11.645, que destacam a obrigatoriedade do estudo da história e cultura afro-brasileira nas escolas. Zilmar ainda salientou o papel da construção do aluno como sujeito cidadão de extrema significação para a luta pela igualdade. “Não é aceitar. É preciso que a sociedade compreenda as diferenças”, disse.

Por meio de eixos temáticos, o público presente participou da deliberação de propostas, na parte da tarde, no Espaço Cultural Central do Brasil, aonde também foram eleitos os delegados que representação a região na Conferência Estadual. Apresentações culturais que remeteram às tradições gorutubanas e afrobrasileiras também fizeram parte da programação do evento.