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Carta Manifesto ao 18 de maio de 2015

X SEMANA DA LUTA ANTIMONICOMIAL DE JANAÚBA

“Precisamos resolver nossos monstros secretos, nossas feridas clandestinas, nossa insanidade oculta. Não podemos nunca esquecer que os sonhos, a motivação, o desejo de ser livre nos ajudam a superar esses monstros, vencê-los e utilizá-los como servos da nossa inteligência. Não tenha medo da dor, tenha medo de não enfrentá-la, criticá-la, usá-la.”


Michel Foucault


Companheiros Trabalhadores, Usuários, Familiares da Saúde Mental de Janaúba,


A dimensão do cuidado é que nos possibilita os nossos encontros e isso independe de posições, ocupações de espaços ou quaisquer elementos que nos separem, ao contrário é no acolhimento que assumimos a dimensão mais humana, solidária e fundamentalmente a ética que sustenta a nossa convivência.


Chegar até aqui só foi possível após percorrer diversos caminhos. Toda caminhada é naturalmente uma construção social e dialógica. Nesta perspectiva, Janaúba trilhou o caminho da Luta Antimanicomial e, corajosamente, implanta, nestes dez últimos anos, a REDE de dispositivos de caráter substitutivo, CAPS II , CAPSi, CAPSad, UAI, Leitos no Hospital Geral, ambulatório, reorganizando sua atenção primária na perspectiva da clínica ampliada.


Por muito tempo o Brasil não compreendeu a dimensão da reforma Antimanicomial em curso em vários países. O sanitarista Franco Basaglia na sua


dialética e humanista crença do protagonismo do sujeito nos encheu de esperança e instigou à luta pela Reforma Antimanicomial, quando influímos na construção do sistema público de saúde brasileiro, o nosso SUS.


O Estado neoliberal tem subfinanciado e disseminado a política do abandono aos equipamentos conquistados pela reforma, mas estamos em constante processo de luta pela reforma e pela construção da democracia inclusiva e solidaria. Por vezes, fere a nosso direito, mas não consegue jamais cicatrizar os nossos sonhos.


Chegamos ao século vinte e um com múltiplos desafios, mas, sobretudo amparados na esperança da pedagogia da libertação, inspirada nos ideais de Paulo Freire e na cosmovisão de Michel Foucault, o qual nos inspira e alerta que a transformação de toda e qualquer forma de dominação só é superada pelo ingresso no processo de construção da cidadania e na solidariedade universal.


Embora o infortúnio e o desencantamento do mundo nos batam à porta, a ética da convivência e da solidariedade nos aponta para a superação da natureza do medo e o abandono das fraquezas. Na relação dialógica: gestão – trabalhadores – usuários – familiares, nos tem permitido pautar questões da gestão, do cuidado e da inclusão, as quais possam fluir na reconstituição das equipes, na recuperação dos espaços físicos, ampliação do acesso através do ambulatório, Policlínicas, leitos de retaguarda, atenção domiciliar e articulação da rede através da ressignificação do NASF.


Agora estamos diante de novas oportunidades nas quais precisamos superar os desafios cabendo aos trabalhadores/servidores a condição de atores plenos na dimensão do cuidar, do acolher, do agir coletivamente e subir no palco da vida, atuando dialogicamente. Também precisamos superar a condição de usuário/paciente para alcançarmos a tão desejada emancipação do sujeito de direito e de fato.


Neste 18 de maio e da X SEMANA DA LUTA ANTIMONICOMIAL colocamos, para todos nós, a dimensão DO INCLUIR PARA CUIDAR e fluir pelos caminhos da “pedagogia da libertação” e pela circulação de saberes. Desta forma, reafirmamos os nossos compromissos de participar desta roda que circula indefinidamente na construção da solidariedade e da paz universal.


A Reforma Antimanicomial é uma construção histórica e social, representando, para todos nós, o nosso agir na direção da superação de dilemas próprios da nossa condição de seres humanos.


A luta continua!


Abraço Fraterno,


Gilson Urbano de Araújo


Secretário Municipal de Saúde de Janaúba-MG